
"Escrevo rangendo os dentes" O que deveria estar pensando Álvaro- Pessoa- Campos ao escrever sobre um escrever "rangedor de dentes"? O poeta do fazer, do fragmento, escreve, instiga, conta mais do que poderia e menos do que gostaria. É o próprio fingidor em sua essência que faz pensar e sentir e que nesse pensar causa um impacto na vida de quem o lê, não podendo este voltar atrás nas mudanças trazidas pelo "caleidoscópio em movimento" como ele mesmo se designava e, logo, sua poesia. Uma alma barroca que se veste de outras várias e que representa tão bem o tempo que vivemos: um tempo sem tempo e sem lugar, um tempo sem memória, perdido e encontrado, uma colisão de pedaços de almas e de saberes não bem compreendidos ou compreensíveis.
Leio porque preciso, leio porque me alimenta e porque o não saber é cada vez mais sufocante, quando se percebe que nada se sabe. É a infinitude da Biblioteca de Babel de que falava Borges e que em vão tentamos enfrentar e que nos leva ao caos interno, nos leva à eterna busca pelo que pensamos poder saber.
"Tenho febre e escrevo" Poeta fingidor. Poeta do sentir.
Isto
Fernando Pessoa
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEscritora,
ResponderExcluircada vez melhor! Texto ótimo. Adoro te ler. Aliás, venho fazendo isso para relaxar. :) Parabéns, Su. Tu és maravilhosa.
Beijos,
Ju (A Amora)
Sweet words!
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