segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Húmus


Delicados contornos de seres humanos, admiráveis e estupefatos
Preenchidos por sentidos vários e esvaziados por infindas estrofes
Atrozes e enfastiados
Ludibriosos
(In)acreditáveis humanos
Tão humanos (des, ex, a, anti)
Perfeitas formações rochosas revestidas por peles passageiras
desconcertadamente
Transbordam ideias vagas e adonadas
Temporariamente tomadas
Exalam melodias incantáveis
Inimagináveis nos signos perfeitos
Repercutem em odores incertos
Perplexos
Maravilham os olhares alheios
Enquanto carregam sabores sabidos e tomados como seus.
Faces diversas de outras versões faciais de si e de outrem.
Encantadores
No “des”, no “in”, no “inter”, no “a”, no “contra”, no “pós” e no “pré”
No “intra”, no “bio”, no “auto”, no “meso” e no “micro”
Formações singulares e plurais






terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Debulhar-se


Rebento
Rebentas
Uma gotícula escorre por entre os veios e invoca o peito em chamas
Chamas que atravessam e que estornam os preceitos básicos
Preceitos lógicos e cansados que delineavam os corpos perfeitos
Gracejos e despejos
O corpo desdobra-se 
Revolve-se em ruídos plurais
As sombras figuram lógicas racionalmente indecifráveis
Enquanto os signos brincam de dar forma e de nomear as coisas
Como se delas fosse dono.

"- Dono não, doutor sim!"

E as sombras rodopiantes confundem os planos e expressam conteúdos inomináveis.
Culpa das chamas que envolvem e deliram todo o resto
Rebento
Rebentas
Sem tempo
.
.
.
Ainda em tempo


*Iluminura de Martha de Barros

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Tilintamos


E o tilintar das ideias batendo, pulsando na extensão máxima de uma intenção tímida, presente, intensa.
Uma explosão de impulsos elétricos e estonteantes subvertendo e inferindo uma respiração, um sopro de palavras adocicadas, belas e bem-humoradas.
Perfumes, odores e Sab(e)ores.
Um inexplicável sentir que transborda as formas verbalizantes e que fica pululando inquieto no peito, nos olhos, na boca, nas pernas, no esôfago.
Sensação que só se explica pelo toque, pelo ar rarefeito que desloca e que arremessa longe o pensar e o sentir.
Enquanto isso,
esquece-se que
Arriscado é escrever sobre o inteligível porque não está ao alcance, assim como todo o resto da contemplação da inteireza sensível do dizer e do sentir e do viver e do explorar.
Esquece-se.
...
Habita-se ainda sim.
-

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011


Hoje pensara em escrever sobre os vestígios do café.
Sobre o gosto
Sobre o sabor
Sobre o aroma
Das pessoas, dos lugares e das ideias
Entretanto, mudara de estilo
Mudara de espaço
Perdera o espetáculo e não se conformara com o ponto, com o
Sino que se badalava em seu interno ouvido revestido de algodão mudo.
Pedira silêncio, restaram murmúrios gritantes lá no mais íntimo dos íntimos.
Entendera que precisava ficar, mas que queria partir, apenas não podia optar, não queria querer o que devia ser querido.
Bradou em silêncio, não poderiam ouvir:
O dever havia calado os sentidos
        Im
    plo
di            dos.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dia de Lamiaceae

Acordada, outra vez. Sempre tão graciosa e inesperada.
In-se-pa-rá-vel!
Lamiaceae, um orvalho em dias de inércia. Um cisco nos olhos de quem pensa ver e de quem finge não estar.
Morre de vez em poucos, simples assim. Assume o lugar das incertezas, dá voz aos sussurros intrometidos e como numa doce tempestade, invade as fortalezas dos corajosos, e ao som de melodias que cravam no peito descomplicadamente inebria todo o ser, que cantarola algo sobre as florestas, algo sobre os abismos, um pouco sobre a solidão de ser e outro pouco sobre a dor de crer.


In-con-ce-bí-vel

Não sei porque ainda perdes tempo a decifrar Lamiaceae. Não há respostas, só há perguntas.
Vagas perguntas
Ideias
Ela volta quando quer.
Lamiaceae se diverte, invertendo as estruturas, derrubando os pedestais.
E reconstrói novos caminhos, labirintos.
Ela é toda graça, toda risos.

Enquanto isso, derramo a mim e aos outros:
Desconexas concepções.

A tempestade doce já causa náuseas e a graça já penetrou a carne, já invadiu as artérias e esmurrou os vasos que não aturam, não aceitam, as conexões já não se fazem e os aquedutos saturados depressa vertem, entornam protuberâncias aquosas, sólidas.

Lamiaceae colore sua paisagem.
Com direito a ambiguidades.






quarta-feira, 26 de outubro de 2011

u-topos


Utopia s.f.
Designação
Não resignação


Nada mais que um não-lugar, que um não se aquietar.
Nada além de um não se sentir satisfeito, acabado, completo, universalizado.
Nada que se adapte e que se contente com o dizível.

Sim, incomoda a Utopia. 
Forjam então sentidos vários, sentidos outros, sentidos ideais, fantásticos, apropriados ao que se prestam.
O imaginário aparece como o não possível, como comédia e tragédia, como hilariante e inebriante aos que se divertem com um ponto de vista tomado como horizonte infinito.

Enquanto isso, incomoda, porque desassossega, porque evidencia o que deveria ficar entre nós.

"Suspenso"
"Besteira"
"Tanto faz"

E o que mais somos, se não utopias personificadas brincando de realidades?
.
..
...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Inexplicável?

Ainda que a alma transborde pelos olhos e o peito salte imprudente, ainda que o vidro embace e que os orvalhos brotem descomprometidos e incompreendidos, ainda sim, os tambores rufarão para o clarear das ideias que retornam com um outro dia.