segunda-feira, 9 de abril de 2012



Sorriu com os dentes todos e abriu os braços pro vento.

Atirou-se delicadamente num movimento de ares e decidiu que seria, dessa vez, diferente.

Inspirou profundamente até as pálpebras dos átomos tocarem-lhe saborosamente os volteios dos folículos da epiderme e da derme.

Moveu-se, agitou-se, fez-se de mar revolto em dia de calma paisagem embrutecedora e sorriu.
Tranquilamente
Cogitou ideias e debruçou-se sobre elas, atento, feito infância, feito vento de janela, feito som de nuvem que se invade 
e
sentiu o cheiro, o entusiasmado cheiro de mudança, de significações outras e com todo o ar que pôde sorriu, com dentes e tudo.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Flutuador.

O que mais a gente vê flutuando nas ideias pelos ares?
Uma espécie de forma-pedaço de ser que almado recorda as sutilezas do que fomos, do que nos tornamos e do que poderemos vir a ser neste breve, neste brevíssimo tempo/espaço que nos "intrometemos" a ocupar. 
                                                                                 E
Brincamos, nós, eu, eu quando outro, outro quando eu, tu quando comigo, eu quando com aquele. Brincamos de comer estrofes e de cantar vertigens, de solfejar passagens e de fingir descobertas, de proclamar espetáculos (i.né.di.tos) – Risinhos de contentamento e, se eu quiser, de contentação.
Brincamos ainda de planejar e cultuar pequenas partículas, pequenas, ínfimas pétalas de ser, de estar em tantos e em poucos, de projetar imagens, de provocar imaginações concentradas, compenetradas no olhar de órbitas multiversas.
Devaneamos juntos, evocando e sussurrando ideias divertidas e estonteantes, povoadas de universos paralelos, de pontos, de partes, de oculares (des)(re)vistas. 
Ar-dilosa-mente.
Ao meio, 
Vertemos poças pingadas em sorrisos levianos e por perguntas dolorosas e vaguezas de lembranças derretemos lentamente como se o tempo já não pudesse compreender que os espectros se projetam em espaços luminosos e obscurecidos pelas próprias vaguezas distraídas.
E nós, aqueles que ainda representados por eu+tu+ele mais todos ou mais poucos ou menos alguns, continuamos a supor que a nossa maneira de brincar de mundo é a mais exata, a mais contável, a mais graciosa.

E continuamos, sem ao menos compreender bem que rituais movem todo esse multiverso das ideias - seres - coisas - sentimentos – vontades, fingimos que inventamos a melhor ideia de mundo e pronto.

Eu grito, se eu quiser.
Eu corro se eu achar melhor.
Eu invento uma história.



"inventando com pedrinhas"

Eu gostava mesmo era de comer palavras e de mascar ideias, fazendo bolas-balões de pensamentos inventados.

Um pouco do sabor.

E depois de um tempo, retornar aos indícios.

quinta-feira, 22 de março de 2012

" "


  • E se doer, não doesse?
  • E se doer por não doer doesse pelo menos de outro modo?
  • e se os ardores se justificassem?
  • se ardessem de uma vez e pronto?
  • Era tudo passageiro
  • tudo de uma só vez
  • sem demoras, sem promessas, sem rodeios
    Mas, não. Assim, não.
    ...
    ...
    1+1+1+1+1+1
    e já
  • me derreto em consciências que nem sei
  • me questiono
  • me doloro
  • me desdobro
  • me agarro em resquícios de um olhar que nem sei se tenho
  • me remeto a mundos
  • me posiciono diante de espelhos e minuciosamente analiso
  • vejo contornos, vejo ruídos
  • e vejo espaços
  • espaços que o tempo mudou
  • brincou de dar formas variadas
  • brincou de severamente distanciar
  • de pôr no esquecimento, no meio do abismo
  • E se doer causasse alívio?
  • E se por meio de abraços nascessem estrelas?
  • e se as estrelas sussurrassem: "se dói, olha a dor e transmuta-a em saberes, em sabores e vai pelo mundo, sabendo que doestes porque doer é uma parte, é um pedaço de uma amarga xícara de um chá, de um x de questões, de olhares e mundos"
  • E se fosse apreensível? E se os xizes fossem outros?
  • E volto ao espelho e ele me implora: "Saboreie o saber que nasce, o olhar que adentra e que pede um lugar."

sábado, 10 de março de 2012

Intermitência


  • A intermitência da angústia que me engole e me distorce diante de meus espelhos ex- e interiores
  • o buraco gravitacional que me toca até a espinha
  • quantas lágrimas discretas me rolam e se acomodam no mais íntimo de mim
  • pulso em ânsia
  • Penso em constâncias pra ver se atenuo a ardência de alma
  • penso nas regularidades do espectro humano
  • penso na física
  • na quântica
  • na astrologia
  • penso na metrificada dor
  • e me verto
    E me esqueço.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

[ ]


E eis que o silêncio se sente,
Se faz necessário
Se torna o assunto, a matéria, o topo do tópico.
Enquanto
Ruídos incessantes,
Abruptos,
Incontornáveis provocam
pedem e exigem que o sujeito cognoscente, cognoscível evoque e expire um silêncio
E espere,
Aguarde ansiosamente que os pulsos desvairados
Transpirem e exalem o odor do silêncio, de um silêncio.
Num dizer sem falar, numa provocação de sentidos que assume e entende o tempo dos desconexos pensamentos:
Formar ideias
Pensar perspectivas
Gerar processos
Distintamente
Explorar universos
Perceptivelmente
Entender, provocar, extrapolar.
E enfim
Falar um dizer.