segunda-feira, 11 de abril de 2011

Es-cre-ver

Escrever não pertence a esse mundo. Sinto uma ausência, um estranhamento de uma não-possibilidade com o escrever. Abismos cegos, transtornos sólidos, um abismo profundo.
Só deveria voltar quando estivesse atravessada por leituras acrescentantes, mas insisto em seguir essa corrente que permite dizer, que permite inventar e delirar escritas. Outra vez, o abismo interno, intenso.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Do lado de lá.

Verdes amarelados, acinzentadas estruturas. Algo se perde. Aqui dentro  uma confusão de flutuantes pedacinhos de sentido. Pequenas lembranças que chegam de um tempo, de uma vida vista através de parcelas de uma liberdade não-dita. Janelas, minúsculas gotas de um orvalho, pequeninas formas de ver para além do que acontece agora,- nesse instante que não é mais esse, mas que voltará a ser, em breve- conduzindo diversos "alguéns" a outros lugares, outras leituras, outras percepções. Fuga momentânea e insana de uma paisagem limitada e limitante. Permissão dada sem que se permita. Os olhos observam, o corpo vive, mas a imaginação destoa desse quadro, procura outros espaços, infere sentidos, recria realidades, reinventa possibilidades em mundos paralelos. Uma fugacidade intencional, necessária e existencial.

E, de volta, ao fundo, vozes seguras e olhares imaginativos. Voltou a ser, mas as partículas ainda estão lá, esvoaçantes por entre ideiais, sussurros.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Distante.
Olhos adiante. Olhar  bem distante. Nada. Borrões sinceros. Sentidos perdidos, uma forma/função que nunca esteve lá, a não ser nas obrigações alheias e impostas, incutidas ao ser. Ser que pensou ser, que pensou ter sido. Um ser que já não é e se um dia o foi, assim não ocorreu por dentro, mas apenas por fora. Paciência, quanta paciência.

Imaginativo, daqui deveria dar pra ver isso tudo que foi/é/deveria ser. Mas não, o corpo não conta, não diz o que vai escondido e, de repente, depois de um ruído, de um estrondo, um silêncio. Ausência que dói e rumina até o fundo e que conduz ao incompreensível, ao indizível de uma paz que não existe, que está lá mesmo depois do silêncio ardiloso e profundo da noite e do dia. As possibilidades se entornam e retornam, a cabeça vai e volta, as perguntas chegam, os questionamentos enfrentam o abismo que ficou. Ecos de um nada, do pó, do fundo, do fim, do poço, do alto, da queda, de um olho, de um nada. Adiante.

quarta-feira, 30 de março de 2011

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E tem dias que parece que a gente se prende, que a gente se perde até não saber exatamente se já foi ou se está indo. Não sei bem o quanto vale, o quanto importa. Mas daqui ainda vejo, ainda ouço. De um distante tão aqui, ou tão ali que ainda emanam os acordes, ainda ecoam os aromas . Importa ser, importa a parte e que foi e ainda é. Se faz diferença? Não, não deve fazer.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um eu/nós.


Cada dia que passa, fico mais apreensiva com essa dificuldade de lidarmos com o “outro”; com essa vontade insana de ignorarmos tudo que possa existir para além das nossas próprias compreensões de um “eu”. Bakhtin, um filósofo preocupado com essas questões de mundo e extramundo, escreveu sobre o outro, sobre o quanto nos tornamos nós em relação às nossas vivências e “embates” com os outros. No entanto, tudo isso parece estar esquecido, ignorado e, mesmo tendo consciência de que não existimos fora dessa lógica do “sou eu, porque não sou o outro” e sendo eu, assim sou a partir de uma longa rede de relações e construções; retomo, mesmo tendo consciência dessa sutil constatação, ainda assim trazemos entranhada uma necessidade de apontar, de negar, de excluir do círculo de interesses. Parece não importar o que nos tornamos, ou como nos tornamos. E isso, surge mascarado ou escancarado nas opiniões, construções discursivas, modos de agir, modos de tornar uma verdade, verdadeira, para um “eu” ou para um grupo de “eus”.
Distanciamento...
Mais uma vez: crenças, percepções, teorias, perspectivas ideologicamente construídas e tomadas como a melhor forma de pensar e agir (do eu/nós). Fico apreensiva. A lógica da negação do “outro” instituída nos recruta. Fico apreensiva. Um abismo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

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minto
omito
um mito
fico

Assim mesmo, em primeira pessoa, voltada para um "eu", voltada para um dentro e para um fora.
Dizendo e desdizendo, pensando viciosa e viciantemente. Teoria. Percepções. Crença. Tudo se confunde, mito.


E bem chega um momento que parece que as palavras vêm de uma vez, turbilhão, sentidos, ressignificação. Silêncio! e o turbilhão outra vez, aqui dentro.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

inquietações, outra vez.

Inquieto e inquietante. às vezes, o coração, o pensamento ou seja lá como você queria chamar aquela vozinha incessante que fica pulsando, inquietante, inquietada em algum lugar do (in)consciente, precisa de um tempo, precisa de uma "renovação". Dizer por dizer, por vezes, torna a coisa toda um tanto sem ares, sem vida, sem pulso.. mas que pulso?
Um turbilhão de coisas me vêm a mente, pensei em falar sobre o tempo, sobre a política, sobre a falta de assunto, mas esse último anda em foco demais, por isso, me atenho às inquietações do pensar, do dizer e do como tornar inteligível esse dizer e por quais meios. Penso, penso e penso. Que gênero será esse? Sobre o que escrever? E lá me vem mil teóricos com suas respeitáveis teorias. Sim, eu sei do que estão querendo falar, eu sei por onde querem nos levar. E penso, repenso. Não é pra se chegar a conclusões, dialogamos, trocamos leituras, observamos perspectivamente, tentando ver um ângulo ainda não dito, ainda não visto, em vão. Penso de novo e é disso que gosto, pensar que se pode pensar e que esse pensar não está fechado, não vem pronto, não acaba quando termina - como dizem alguns desses senhores da teoria mais teórica e bem posta. Sim, sim, nós que não estamos prontos, nós que podemos ver tanto e tão pouco ao mesmo tempo. Pontos de vista, embates teóricos, argumentação, linguagem, expressão. Leituras. E por fim, um dizer que só é possível, só se faz tangível quando significa para alguém que o relê, que o questiona e que lança seu olhar e suas hipóteses, "respeitáveis" ou não, ainda sim, um intento. Leituras sim, possibilidades, multiculturas, "polileituras" em micros ou macro culturas.

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